quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Entrevista com o Presidente: André Szytko

Hoje inauguramos a coluna Entrevista com o Presidente. Pra abrir a série entrevistamos o Presidente dos Presidentes: André Szytko. 

Em seu sétimo mandato como Presidente da República de Porto Claro e disputando o Oitavo, conversamos sobre Política Nacional  e Internacional, disputa governo x oposição, projeto para a nossa micronação e a polêmica com José Augusto Junior.

Na entrevista Szytko assume ser centralizador e aponta seus erros, por outro lado critica duramente a oposição e se mostra confiante em continuar o trabalho à frente do país.

Confiram a entrevista completa:


POLITEIA: Estamos nos aproximando do final da sua atual gestão, qual balanço faz dela? Que ações ressaltaria?

AZ: Posso dizer que foi uma das mais improdutivas, muita coisa não andou, uma aposta minha foi a biblioteca nacional, montamos um grupo, implementamos o sistema, tanto para o arquivamento quanto para a codificação dos documentos, mas o principal o conteúdo, não saiu, acho que faltou mais cobrança minha sobre o grupo de colaboradores, como sou novamente candidato, no próximo mandato vou tentar dar mais atenção a biblioteca. Outra coisa que não andou foi a Comissão de Tutoria, isso eu já sabia, pois não há uma forma direta de tutorar um novo cidadão se não houver disponibilidade de tutores, e isso sempre faltou em Porto Claro e continua faltando, para não dizer que foi um fracasso total, a única coisa que funciona mesmo são os avisos de aniversários. Os mapas urbanos também não tiveram andamento, acho que as discussões sobre as comemorações dos 20 anos de Porto Claro acabaram tomando toda a atenção. Já na UPC dependi muito de um projeto que estava encaminhado por um ex-cidadão, na época ainda cidadão, e na inatividade desse acabamos não tendo o que colocar para a UPC voltar a ativa. Houve um tentativa de listas temáticas nas lista distritais, mas acabou que essa não teve participação da população e a proposta acabou minguando. A Imigração e Chancelaria fizeram o seu papel, e as Comunicações também, com grande participação da ANN no Twitter e Facebook.


POLITEIA: Volta e meia você é criticado por uma suposta centralização enquanto Presidente, o que acha dessa fama? Há um fundo de verdade?

AZ: Totalmente verdade, sou centralizador e faço muita cobrança, claro que recentemente a centralização se dá mais por falta de mão de obra, mas quando há fico sempre pegando no pé do pessoal, aliás pode até ser que essa falta de mão de obra seja pela forte cobrança que faço nas pessoas que trabalham comigo.


POLITEIA: Salta aos olhos a ausência de uma oposição efetiva em Porto Claro. Como você avalia isso? A que você atribui ?

AZ: Hoje não temos uma forte oposição por falta de participação, hoje vejo os outros partidos políticos, os ativos, como grupo de amigos, se reúnem a cada 6 meses, sempre na época das eleições, escolhem candidatos, e eleitos ou não voltam para a inatividade, semana passada mesmo houve a discussão sobre a falta do Senador Enrique Roura do P3D na Ordem do Dia do Senado, ai vemos dois culpados, o Senador Enrique que se afastou e levou junto com ele o cargo de Senador, e ou outro o P3D que, sendo o dono da vaga no Senado, não substituiu o Senador, mas essa inatividade partidária já vem a algum tempo, é partido perdendo vaga no Senado por ter senador destituído e não escolhendo outro, vê-se que os dirigentes desses partidos acabam sendo os mais inativos entre os filiados, e os meio-ativos não querem a responsabilidade. O pior e que acaba sendo um contra-senso, pois esses partidos inativos registram candidaturas, principalmente a presidente, cargo que exige uma participação maior, mesmo não eleitos se mostram totalmente desinteressados com Porto Claro.


POLITEIA: Você e o seu partido usam a insígnia de que o projeto é Porto Claro. Acha essa afirmação suficiente? Poderia explicar melhor esse projeto?

AZ: A ideia do “Projeto Porto Claro” é o de sempre fazer algo por Porto Claro, projeto público ou privado, se analisarmos os projetos desenvolvidos em Porto Claro nos últimos anos sempre tem algo realizado pelo PDL ou por algum filiado seu. É uma coisa que acaba faltando dos filiados de outros partidos, um exemplo é a questão do sistema econômico e do parlamentarismo, sempre ouvimos alguém defendendo a implantação de um desses dois, mas as ideias são sempre promessas, não vemos nenhum desses criar um projeto solido, levar adiante uma consulta popular ou uma proposta no Senado.


POLITEIA: Você concorda que o micronacionalismo passa por uma crise? Por quê? Como poderíamos sair dela?

AZ: Não diria uma crise, o que ocorre é uma mudança na internet, quando entrei no micronacionalismo em 1998 não existia a ideia de comunidade, como é hoje, o máximo que tínhamos era o MIRC, o ICQ e as salas de bate papo do UOL, então as micro nações surgiram como comunidades, só que hoje existem inúmeras opções assim onde há muito mais participantes para interagir, outro fato é que o ponto central do micronacionalismo é a política, o poder pela política, e os brasileiros, que é nosso foco, já está meio cansado disso, acaba que o nosso principal foco é o que mais espanta ou desestimula novos cidadãos. E como sair dessa, não tenho ideia, talvez seja uma mudança no jeito de ser o micronacionalismo, já deram ideia de mudarmos para uma coisa mais parecida com um jogo ou fazermos algo mais integrado com as micronações lusófonas, um colega meu deu a ideia de criarmos um continente micronacional, seria até um grupo fechado, onde novas micronações teriam que ser aceitas, claro que isso implica também numa perda de identidade para as micronações mais antigas, uma mudança de endereço territorial, só que falar em organização intermicronacional e muito difícil, porque o que mais falta é parceria entre as micronações, então ficamos na mesma, e a cada dia menores.

POLITEIA: Gostaria de saber um pouco da história dessa disputa entre você e José Augusto Junior e o que você acha de ele ter te apontado nas justificativas para abandonar Porto Claro,  publicadas na revista Millenium?

AZ: A questão não é nem comigo, a primeira vez  quem pegava mesmo no pé era o Luiz Monteiro, esse sim não perdoava ninguém, ele até tinha uma frase de efeito, sempre dizia para esse(s) cidadão-turista de Porto Claro: “Nunca será”. Ai com o tempo sobrou poucos “dinos” como apelidaram os mais antigos, e eu sempre cobrei o Augusto desde que ele abandonou Porto Claro logo depois de ser eleito Senador, disse que queria mudar, mas nunca tomou a iniciativa, quando teve a oportunidade para isso caiu fora, depois de inúmeros retornos e saídas, eu não ponho mais a mão no fogo por ele, e sempre que ele estiver por aqui vou apertá-lo, ou ele toma jeito ou cria vergonha na cara e para de voltar para Porto Claro.

POLITEIA: Fique à vontade para considerações finais.

AZ: Eu sempre considerei o micronacionalismo um hobbie, mas um hobbie que compartilho com outras pessoas e por isso tenho que ter seriedade e responsabilidade, ainda mais quando assumo um cargo político através da confiança dos outros colegas de hobbie, por isso levo muito a sério Porto Claro, e é por essa seriedade que na maioria das vezes sou chato, é por isso que sempre puxo tudo pra debaixo da minha asa, quero fazer tudo eu mesmo, quero controlar tudo, nem sempre foi assim, pois no passado tínhamos uma participação maior dos demais cidadãos, e havia mais confiança no trabalho alheio, infelizmente hoje já não há. Mesmo assim estou aberto a receber ajuda de quem estiver disposto e com algum tempo para colaborar na minha administração. Agradeço o espaço na Politeia, obrigado.

Um comentário:

  1. O André Szytko é, sem dúvida, um dos pilares de Porto Claro. Negar isto é ser ingênuo ou idiota.

    Não concordo com a ideia de oposição. Acho que ela não cabe no micronacionalismo e, se couber, definitivamente não cabe na Porto Claro contemporânea.

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